quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

..poeira

Um dia a gente vai olhar pra trás e vai ver só poeira..

Não vai ter mais nada que queira guardar, nada pra levar com a gente, nada pra contar história..

Não vai ter mais mesa nem cama, Não vai ter mais teto ou chão pra pisar, nem parede pra se escorar, nem armário pra se esconder..

E nesse dia vai chover, porque sempre chove em dias como esse.

No começo vai chover forte, tempestade. Vai arrancar tudo da terra, levantar a sujeira e vai misturar tudo que há de bom e de ruim.

Vai arder os olhos, amargar a língua e secar a boca. Passando o limite de tudo que é suportável. Depois vai diminuindo a força dos ventos, a água vai caindo mais fina, a sujeira vai escoando.

O que é bom fica manchado., mas fica. Alguma coisa de ruim também, porque nada na vida é 100% porra nenhuma.

Surge então a raiva. A vaidade e orgulho se tornam mais presentes..

Só que neste dia estaremos sozinhos.. Não vai ter pra quem correr nem por quem pedir. Não vai ter mãe, irmão, pai, gato, macaco, cachorro, calopsita ou amiguinho da vida toda. Vai ser só a gente e mais ninguém. E é nessa hora que vamos pensar porque chegamos nesse momento, o que nos levou até ali..

Vamos assistir a tempestade destelhar as suposições, jogar terra na boca dos que falam demais, cegar os que tem certeza sobre tudo.

O desespero cospe na nossa cara e a esperança ri das nossas súplicas.

Nesse dia não vai ter ninguém pra dividir o porre. Não tem plano B, nem hora H. Vamos ser nós e somente nós..

Nesse dia eu estarei sentado na varanda da minha vida, olhando quem passa, mandando entrar quem eu quero que fique. Nesse dia eu vou pensar numa música bonita e vou cantar ela pra mim..

Vou fazer comida e comer sozinho, e pedir minha própria ajuda pra fazer faxina. Vou me convidar para aquela viagem que estou há tempos adiando. E eu sei que eu não vou recusar., porque eu gosto de comida, gosto de fazer faxina, gosto de viajar e gosto de mim também, apesar de me maltratar as vezes.. Mas qual o amor que não machuca?

Eu me bato, mas também me afago. Me dispo, me visto, me limpo, me sujo. Faço café, cheiro veneno. Me amo como ninguém nunca me amou, como nunca me amarão..

Vou lamentar não terem notado minha presença e ignorado meus chamados. Vou chorar, vou gritar, vou praguejar, mas eu vou estar ali comigo, segurando minha mão e dizendo "Logo passa..."

Vou me abraçar, vou dizer pra mim mesmo "Obrigado por não desistir de mim!!"

Minha história de amor começou assim, olhando pra trás e não vendo nada

..só poeira






sexta-feira, 30 de maio de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Faça a revolução lá fora. Mas só depois de mudar as coisas aí dentro

Amanhã você vai sair — ou voltar — às ruas e fazer a revolução.
Sem medo, sem máscara, vai dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” a todos os conhecidos e desconhecidos que passarem por você. No elevador, no estacionamento, no ônibus, na fila da padaria. E se ninguém responder, não importa. Você vai manifestar um sorriso largo como uma avenida e seguir em frente.
Porque é para frente que se anda.
No trânsito, vai dar passagem a todos os outros carros assim que vir uma seta piscar, indiferente às buzinas nervosas de quem vier atrás. E quando alguém fizer a mesma gentileza por você, não vai esquecer de acenar em puro e simples agradecimento.
Ao ligar o ônibus coletivo com o qual circula pela cidade todos os dias, vai se lembrar de que está conduzindo pessoas e não caixas de verdura. E de que os milhares de veículos lá fora não são seus adversários em uma corrida para lugar nenhum.
Vai começar todo e qualquer pedido com “por favor” e concluí-lo com “obrigado”.
Quando reunir seu batalhão no quartel, em vez de gritar “ordinário, marche”, vai orientá-lo a ler a Constituição Brasileira e qualquer um dos livros de Carlos Drummond de Andrade. Para que seus soldados percebam, do alto de seus coturnos, o quanto as coisas às vezes não fazem mesmo sentido. E descubram o quanto a autoridade que lhes foi atribuída pode ser usada não para reprimir e subjugar, mas para fazer da vida uma extraordinária marcha para frente.
Porque é para frente que se marcha.
No hospital público em que você, doutor ou doutora, dá plantão de madrugada, vai atender cada paciente com a calma, a seriedade, a competência e o respeito devidos a qualquer ser humano. E vai sentir vergonha de todas as vezes em que se dirigiu a essas pessoas como se você fosse um ser superior vestindo branco e elas não passassem de malditas desvalidas atrás de uma injeção “de graça”.
Nas cerimônias religiosas, vai retribuir a confiança de quem o chama de padre, pastor ou pai de santo não apenas com uma benção, um sermão ou um passe, mas pedindo às pessoas que façam uma oração para aqueles que protestam e para aqueles contra quem se protesta. E que nessa oração, o único pedido seja a compreensão e a clareza, para que todos saibam realmente o que estão fazendo, contra quem, contra o quê e como estão se manifestando.
Nos veículos de comunicação que você dirige, vai determinar a seus repórteres, redatores, editores e afins que se concentrem no factual, que ouçam, analisem e publiquem todas as visões possíveis de cada fato. E que deixem os leitores, ouvintes e telespectadores concluírem como bem entenderem.
Nas escolas e nas faculdades, vai ensinar seus alunos a ver e pensar política de outro modo, para além dos discursos e dos partidos, com profundidade, amplitude e perspectiva. Com inteligência, liberdade e espírito crítico.
Nas redes sociais, antes de curtir e compartilhar qualquer post sobre qualquer assunto, você vai pensar. E vai pensar de novo, até se certificar de que realmente acredita naquilo.
E quando alguém próximo a você esbravejar palavras de ódio e apoio à violência — seja da parte de quem se manifesta depredando, seja do lado de quem defende agredindo — você não vai discutir. Vai respirar fundo, pensar consigo “let it be” e seguir em frente. Porque há vários lados nessa história, mas nenhum deles é “o adversário”. E você está em todos eles.
Você é o mínimo de inteligência que resiste em cada homem e cada mulher que ainda respiram neste mundo, brutalizados e amortecidos pela doença da normalidade que torna tudo banal — as mortes, os estupros, a violência doméstica, a roubalheira nos cargos públicos, o corrupto e o corruptor, o ódio e a maldade.
Amanhã você vai sair às ruas e fazer a revolução. E se ninguém mais aderir, não importa. Você vai manifestar um sorriso largo como uma avenida e seguir em frente.
Porque é para frente que se anda.
E a revolução lá fora só começa depois de uma outra. Aquela que acontece aqui dentro.

Fonte: http://www.revistabula.com/1265-faca-revolucao-la-so-mudar-coisas-ai/

terça-feira, 21 de janeiro de 2014








"então

eu olhava pro cachorro

e os olhos dele

olhavam tristemente para os meus.

nós não tínhamos segredos.

eu sabia

e ele sabia

que nós dois

amávamos ela"


Bukowsky


Parte do poema "Cachorro Quente", do livro "Tempo de vôo para lugar algum"

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

COMO EU ME SINTO QUANDO.....


..consigo dar uma cochilada no plantão da madrugada e o telefone toca!!