quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

RETROSPECTIVA 2013

Seguem alguns conselhos, conclusões, devaneios e lições aprendidas em 2013 que eu gostaria de compartilhar com vcs..

É a minha maneira de desejar a todos nós um 2014 belo e formidável!!!

Lá vai:



- Poucas coisas na vida são tão importantes quanto aprender a ficar sozinho

- Cada panela tem a sua tampa, mas isso não é garantia de que vocês irão se encontrar. E caso se encontrem, isso não quer dizer que ficarão juntos para sempre

- Cada um de nos tem as suas lições para aprender na vida, e cada um a seu tempo em particular

- Ensinar a pescar é melhor do que dar o peixe, mas não vai adiantar de nada se a pessoa não estiver a fim de aprender

- Se alguém te disser “vc é muito pra mim” é bem provável que você seja mesmo

- As sacanagens e safadezas que você vê e ouve por ai, são infinitamente melhores com a pessoa que você ama

- Não aconselho que você se vingue. Mas se for fazê-lo, faça de forma a liquidar o assunto definitivamente 

- Cão sem dente ainda morde

- Muita cautela para abrir a boca e a carteira

- Aconselhar alguém nos leva a um profundo conhecimento de nós mesmos

- Ser feliz é uma questão de perspectiva

- Só se enfrenta a ignorância reconhecendo primeiro que é um ignorante

- O mundo está cada vez mais cheio de pessoas mal-comidas, falsos moralistas e covardes. Aceite isso

- O tempo não deve nada a ninguém. Ele simplesmente passa

- Algumas pessoas, coisas e situações vem e vão porque tem que ser assim, e não por você não ter sido bom o suficiente

- Aprenda com quem entende do assunto

- Não tenha pressa para definir o que quer da vida, mas saiba estabelecer algumas prioridades

- A única recompensa que você recebe depois de sofrer, é amadurecimento e mais nada. A vida não mima ninguém

- ..e trate de ser grato a quem te fez sofrer. Esta pessoa te ajudou a se tornar uma pessoa melhor e muito mais forte

- Amor nenhum vai substituir o bem que te faz uma velha amizade

- Ignorar as belezas do mundo é uma imbecilidade sem tamanho. É a tortura mais cruel que se pode infligir a si mesmo

- Palavras de amor nunca são demais

- Quando se precisa justificar o amor é porque ele não existe

- Amor é um privilégio

- Algumas pessoas não merecem o sofrimento que passam, mas você não deve se intrometer

- Seja feliz no seu trabalho. De verdade

- Se na sua padaria vende cerveja pela manhã, não precisa me dizer que horas são quando eu pedir uma

- Tudo o que a gente mais ama, por mais que ame, pode simplesmente desaparecer. Na hora mais inesperada.. pra nunca mais voltar

- Se duas pessoas estão felizes juntas, deixe-as em paz

- Se optar por ser burro, arque com as conseqüências

- Para cada escolha há uma série de renúncias, e não há nada que se possa fazer para mudar isso

- Ensine a sua boca a pronunciar “a culpa foi minha” e “eu não sei”

- Ser uma boa pessoa, pode ser facilmente confundido com “ser um otário”, levando em consideração os padrões de hoje em dia

- Não corra atrás de ninguém. Mas sobretudo, não corra atrás de alguém que demonstra viver bem sem você

- Não se sinta mal por não entender as mulheres. Nem mesmo as mulheres entendem elas mesmas

- Se você busca a perfeição nas pessoas com quem pretende se relacionar, morrerá sozinho

- As pessoas são o que fazem. Não são a música que escutam, não são as merdas que postam.. Não são as promessas que fazem, e muito menos as coisas que falam que irão fazer um dia

- O face não é uma merda, você é que não sabe usar

- As pessoas não são cruéis, você é quem espera muito delas

- Se você não é lindo, mas consegue fazê-la rir, ainda há uma chance

- Se você acredita que namorar uma grande amiga é uma excelente idéia, então você não entende nada de namoro. Muito menos de amizade

- Se está com alguém, não puxe o celular a cada 10 segundos

- Nenhuma saudade dói mais do que a saudade de nós mesmos

- A vida não é fácil. Mas é bem simples



..era isso






terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Como eu me sinto quando........


Um Médico Veterinário famosão liga elogiando meu Raio X:








sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

PARADOXO

Certa vez o diabo perguntou pra Deus, se ele era realmente onipotente

Ao que Ele prontamente respondeu “Claro que sou!!”

Então o diabo disse: “Pois bem.. eu quero que O Senhor construa um pedra que Você mesmo não consiga levantar”

Deus então pensou e pensou

Se Ele construísse uma pedra que não conseguisse levantar, então Ele não seria onipotente.. pois não seria capaz de levantar a pedra..

Se Ele conseguisse levantar a pedra, então também não seria onipotente, pois não conseguira construir uma pedra que não pudesse levantar..

Fiquei com essa historinha na cabeça por alguns dias, acabei entendendo que, nas nossas ilusões de onipotência, também criamos a nossa própria pedra, se encarregando por anos de levantá-la todo dia, a nossa maneira, ainda pretendendo fazer isso até o resto dos nossos dias. A pedra pesa e rola também. Tem dias que a gente sabe que não vai conseguir levantar mesmo, e a cada dia o desafio se mostra diferente..

A pedra pode ser chamada de diversas formas: emprego, família, religião, amizades.. suas relações com as pessoas, com o mundo que te cerca e até a maneira com que você se relaciona consigo mesmo.. a maneira com que consegue ser mais generoso ou rígido com o indivíduo dentro de você

A vida é paradoxal e isso não se aprende fácil

Fui me enchendo de verdades absolutas enquanto simplesmente passava pela vida. Nutri meus paradigmas com muito orgulho e teimosia. Carreguei um montão deles pelos lugares onde passei, e fiz questão de esfregá-los na cara de muita gente que cruzou o meu caminho, enquanto acreditava ser o dono de todas as verdades absolutas que existem no mundo

..e é tão fácil ser assim né

Difícil é ser flexível, difícil é se por a raciocinar, quebrar seus paradigmas.. colocar a prova suas opiniões, verdades, crenças, filosofias de vida e se desafiar a tentar percorrer um caminho diferente
 
Há mais de um ano eu não tiro uma temperatura, não ausculto um paciente, não corto unha, não espremo uma glândula, não limpo um ouvido, não tiro uma caca do canto do olho de ninguém..

Há mais de um ano eu não interno, não preencho ficha, não ponho paciente no soro, não calculo dose de medicamento, não cubro baia com jornal, não ponho água com comidinha.. e nem limpo a merda que escorre densa e fedida para as gaiolas de baixo

Há mais de um ano eu não faço plantão, não trabalho 12 horas em domingo nem feriado, não uso roupa branca nem sapatinho branco ridículo, não vendo medicamento, não fecho comanda e nem sou insultado por meus serviços valerem mais do que a pessoa queria gastar

Há mais de um ano eu não tento convencer gente estúpida que é melhor tratar do que matar. Há mais de um ano eu não vejo mais o olhinho vidrar, não sinto o coraçãozinho parar de bater pelo estetoscópio.. há mais de um ano que não vejo mais a vida indo embora do corpinho pelas minhas mãos..

Há mais de um ano eu não consolo ninguém. Há mais de um ano eu não digo “é assim mesmo”. Faz mais de um ano eu não tenho vontade de matar.. nem de morrer

Faz mais de um ano que eu não sinto a parte de trás da bola do olho esquentar, rangendo os dentes e imaginando ser o meu último dia nessa vida. Há mais de um ano que eu não tenho choro compulsivo.. insônia.. riso histérico.. tremor nas mãos nem perco a audição por minutos que parecem durar uma eternidade. Há mais de um ano eu não me arrependo das escolhas que fiz

Há mais de um ano eu não penso em largar tudo e vender o rabo na esquina..

Claro que ainda passo nervoso, claro que há cobranças, nem Deus sabe pra onde vai cada laudo que eu assino mas enfim.. nem sempre o processo de aprendizado tem a beleza ou a sutileza que eu cito aqui..

Mas faz parte.. o caminho é sempre se perguntar “E se..”

 ..e se????





Era mais um dia na vida de “crínico”. Eu nem preciso dizer o quanto estava sendo foda.. era um sábado de final de ano e o contraste entre a alegria lá do lado de fora e o desânimo, somado ao cansaço aqui do lado de dentro, ainda mexiam comigo. Internação lotada, proprietários surtando na recepção, banho & tosa cheio de reclamações. A outra médica que atendia comigo havia tirado férias e o fardo sobre as minhas costas simplesmente havia dobrado. Mas vamos lá.. eu sou foda.. eu aguento..

Em uma dessas noites, estávamos acabando de medicar os internados e haviam vários daqueles frascos de soro de plástico, pendurados por todo o canto. Então alguém teve a idéia de montar uma árvore de natal com eles. Aquilo foi bem divertido

Era preciso quebrar o stress, e ao som da Kiss FM fizemos nossa cerimônia natalina com pão, mortadela e coca!! Nessa época eu morava sozinho e enfeites natalinos decorando a casa eram uma realidade bem distante. Fechávamos meia noite, mas como era sábado, todos tinham motivo pra sair mais cedo. Um precisava comprar o presente do amigo secreto.. outro precisava ver a fofa.. e sempre tem um que diz.. “já que todo mundo vai sair mesmo, posso ir também dotôr??”

Eu havia brigado com a minha fofa.. nem me lembro o porquê.. final de ano é uma merda mesmo

Mandei todo mundo sumir da minha frente. Todos se foram e eu fiquei sozinho, ainda tinha que fazer o retorno do Lord..

O Lord era um filhotinho sem raça que estava com alta assistida. Gastroenterite Hemorrágica, pra variar. O protocolo seria de internar, mas o proprietário não queria que ele ficasse na gaiola, tinha muita dó.. e com razão, o que pra mim era ótimo: uma gaiola e um bosteiro a menos para se limpar. Então eu pedia para que retornassem duas ou até três vezes ao dia

Eles retornavam, eram pessoas bem agradáveis, eles gostavam de conversar, e entenda-se por ~ conversar ~ algo bem diferente do monólogo confuso que a maioria dos proprietários vomitava em cima de mim. Então, eu realmente não me importava com o tempo que eles ficavam por lá. A esposa quando vinha, trazia as crianças e elas eram bem educadinhas. Naquele último dia cada uma delas trouxe um presentinho, a menininha mais nova trouxe um desenho da minha pessoa cuidando do Lord, e o menino trouxe um saco de Dadinho. Era natal né.. Tem gente que dá gosto atender. De verdade 

Pronto.. Lord estava liberado!! Vitória plena!! Fechando tudo, apagando as luzes.. vou pra casa

Saindo.. fecha a porta de dentro, bate o trinco escangalhado, fecha a grade, bate o cadeado e........

Ao longe uma Kombi azul, vindo pela contra-mão e acelerando loucamente, um farol fraco e o outro piscava a cada buraco q passava. Tentei acreditar que não seria comigo.. não, não era.. eles passariam reto, procurando algum bar.. alguma puta.. sei lá, mas eles apontaram pra mim e manobraram a jabirosca.. o lance era comigo mesmo

Na pior das hipóteses um assalto.. fiquei sem reação, não vou sair correndo também. Fiquei estático, acho que mais pelo cansaço do que qquer outra coisa

Desceram.. carregando um pitbull semi-inconsciente, uivando, cheio de mioclonia, babando pra caraleo, todo mijado.. ótimo, e eu não acredito..

“- Dotôr dotôr.. o dotôr precisa ajudar a gente” disse o mais nervoso deles, os outros desceram carregando o cão gordo, com aquele fio de baba grossa pendurado, escorrendo pelas roupas dos infelizes que tentavam carregá-lo. “Chumbinho” pensei.. na boa, preferia que fosse um assalto, seqüestro.. qualquer coisa que não me fizesse ter que abrir a clínica novamente aquela hora

Eu deveria estar mais nervoso, mostrando alguma preocupação, mas não conseguia, fechei a cara mesmo.. foda-se. Os conduzi à mesa de atendimento, para que pudessem se livrar do peso absurdo do cão e, enquanto eles gritavam tentando manter o animal em estado de alerta, fui buscar o material para administrar o soro - chingando e amaldiçoando por sete gerações todas as formas de vida terrenas

Cheguei carregando os frascos de soro, equipo, cateter, esparadrapo, seringas e ampolas de medicações, eles estavam cochichando algo entre si, e antes que eu pudesse colocar o material sobre a mesa, o mais nervoso deles disse:

“- Seguinte dotôr.. a gente precisa salvar esse bicho.. ele é do meu patrão.. meu patrão ta viajando, teve que viajar, deixou ele comigo por uns tempo.. tinha veneno de rato no quintal ele foi e comeu dotôr.. não tive culpa..”

“- Tudo bem fera, se acalma” - eu disse – "vamos fazer o possível, coisa e tal" e todo aquele discurso já pronto que a gente nem pensa pra despejar.. foi quando ele tirou um trêzoitão da bermuda e elevou drasticamente o tom de voz

“- Cê num tá entendendo dotôr.. que se esse cachorro morrer meu patrão vai me picar no machado dotôr.. vai picar meus irmão.. vai picar minha filha.. vai picar a minha mãe no machado dotôr.. E VAI PICAR O DOTÔR TAMEM.. A MÃE DO DOTÔR NO MACHADO TAMBEM PORRA!!!”

Olhei pra baixo e soltei um “taqueospariu” bem baixinho, quase sussurrado.. não senti medo, queria que aquilo terminasse logo.. eu tava muito cansado, queria ir pra casa, tirar o sapato e deitar no sofá.. realmente não estava a fim de passar por aquilo..

Ele gritava e gesticulava, com a arma na mão.. do jeitinho que haviam ensinado na escolinha dos bandidinhos, tentando ser pavoroso, falando um monte de palavrão e chegando com a cara bem perto do meu rosto

Coloquei o material em cima da mesa, limpei o cuspe da minha cara e o afastei da forma mais delicada que consegui com a ponta dos dedos no peito sem camisa suado e nojento dele

“- Companheiro, ninguém vai picar ninguém aqui não.. fala na boa comigo pq to aqui pra consertar a merda que vc fez.. vai lá na recepção toma uma água e lê uma revistinha. Deixa eu fazer meu trampo aqui que tudo vai dar certo” ele desacreditou o meu abuso. Não estava acostumado com gente levantando a voz pra ele. Olhou no fundo dos meus olhos e eu não desviei o olhar.. ele deu uma bufada de criança e fez o que o tio pediu. Aparentemente, eu fico mais descontrolado quando a breja demora no bar, do que com um trinta e oito apontado pra minha cara. São questões

Dava pra salvar, eu já havia feito isso zilhões de vezes, com pacientes em estado muito pior.. era só mais um, mas eu cortei o esparadrapo pensando no buraquinho do trezoitão olhando pra mim..

Dei uma sedada no bicho.. queria poder sedar a mim mesmo. Um deles vinha de vez em quando, ainda agitado, mas de forma bem mais educada e sem cuspir, pra fazer alguma pergunta. Eu respondia como se fossem clientes normais, tentava tranqüilizá-los, mas eu tava bem tenso

Uma hora fui na recepção, aquilo estava quieto demais, fingi que ia tomar água eles estavam esticando um pó

“- O dotôr não se importa dagente fazer uma função aqui não né?!”

“- Tá tranqüilo vai na fé irmão” ..eu manjo dos patati patatá

“- Vai uma cheradinhae dotôr.. pra dar uma zerada??”

“- Nem, to suave” era só o que faltava mesmo

Queria que eles fossem embora, que saíssem dali, não tava rolando e eu tava sem paciência de responder pergunta de gente cheirada.. então tentei tranqüilizá-los, usando alguma linguagem técnica da qual tenho certeza de que não entenderam nada.. foi difícil, mas umas 4 e pouco da manhã eles acabaram indo

Telefone?? Endereço?? Preencher ficha de internação?? ..sonha né

Sei não viu, bicho não reage. Puxei uma cadeira e fiquei do lado dele.. Temperatura baixando, mas está respirando bem.. ausculta, reflexo da pupila.. Fazer um café, a noite será longa

Debrucei na mesa, não parava de pensar no que seria se esse bicho resolvesse ir pro gramado infinito esta noite.. o que seria dessa gente que trouxe ele?? ..o que seria de mim??

Justo comigo, puta merda

Tentei traçar uma rota de fuga, pensei em abandonar o cachorro lá em cima da mesa mesmo.. pegar o carro e me mandar pra Minas Gerais, conheço uns três ou quatro doidos por lá que não me recusariam uma ajuda

Imaginei os caras voltando.. mais loucos e com mais farinha no nariz ainda

Imaginei que com eles poderia vir o tal patrão que pica as pessoas no machado.. Imaginei uma figura meio Danny Trejo, puto da cara, com aquele bigodão e um machado cheio de sangue seco nas mãos. Cruel e implacável, baforando seu charuto na minha cara e desenvolvendo um discurso meio tarantinesco antes de cortar minha mão fora

Tentei racionalizar.. mas nada vinha na cabeça, tentei aceitar que o fim estava perto mesmo.. era isso, a gente nasce, cresce, vive um pouco.. se forma veterinário, faz umas cagadas e termina em pedacinhos dentro de um saco preto, em algum córrego cheio de esgoto entre a Casa do Caralho e o Cú do Mundo.. simples assim





 Estou acordando.. estou em casa, a janela aberta por onde entra uma brisa gostosa e uma luz avermelhada dos primeiros raios de sol do dia que esta nascendo. O ventilador faz vento, bem devagar

Ela esta sobre mim, cheirosa.. passando seu cabelo vermelho na ponta do meu nariz, fazendo cócegas no meu rosto

Não quero acordar, na verdade quero.. quero abraçá-la, quero a língua dela na minha garganta, mas faço manha.. pq assim fica mais gostoso. Eu fijo que quero continuar dormindo e viro de lado. Ela sabe o que quer e me dá um estalinho no canto da boca, soprando de leve o meu rosto.. “acorda dorminhoco” com a voz rouca de quem também acabou de acordar.. o sol entrando pela janela, agora mais amarelado.. aquele cabelo dela.. nem lembro mais porque a gente se desentendeu.. “eu te perdôo” eu sussurro.. e a gente se abraça.. vai ser uma pena não vê-la nunca mais

..

Tosse foda.. tosse de cachoro, nada a ver com essa manhã deliciosa. O cachorro está tossindo.. engasgando.. está se contorcendo, pondo aquela língua enorme pra fora.. acho que está faltando ar.. ou fazendo edema!!

Acordo num pulo, eu debrucei ao lado dele, acabei dormindo e até sonhando. Excelente doutor Alê, sua vida em risco e você, claro: Dormindo!! Pronto era isso, espero que tenha aproveitado a vida, o cachorro vai morrer e o Danny Trejo ta chegando pra te apresentar o machado dele..

Ele paralisa por alguns segundos. Depois dá uma puta vomitada, jogando pra fora umas carnes podres, nem tinha tanto chumbinho assim. A vida é bela.. mesmo com seus vômitos fedidos, e o sol estava nascendo mesmo

A padaria abriu e o dia pode começar, estou feliz por poder dizer: “- AÔ camarada me vê essa coxinha, um bauru e uma coca pfvr!!”

Os funcionários da clínica começam a chegar para um novo dia, ainda a tempo de ver o pitbull enorme na mesa, atento e totalmente recuperado, olhando pra mim, querendo um pedaço do meu lanche. Coisa linda!!

Me perguntam o que aconteceu, eu disse que a noite havia sido “bem loca” qquer dia eu explico melhor (ou não). A minha cara de zumbi não engana ninguém. Vou em casa tomar um banho e já volto. Eu mereço um prêmio, um troféu.. um Oscar da academia dos Veterinários fodidos e imortais, mas se eu pudesse dormir por uns 15 dias seria ótimo!!

Ousaria dizer que a lei da compensação, ou algo parecido deva existir mesmo, pois a tranqüilidade dos dias que se seguiram foi notável

O pitbull virou nosso hóspede, comia um balde de ração, duas vezes por dia. Gigante, mimadão e gente boa, o Danny Trejo deve ser um dono bem legal

Ele tinha um olhar profundo, calmo.. era bem estável e não se abalava com nada. Jamais mostrou um pingo de hostilidade. Deve ter presenciado cada cena também.. eu pensava

Quando os outros internados faziam aquela puta algazarra na hora da comida ele era o único a ficar quieto, sentado, olhando o movimento com aqueles olhos amarelos que devem ter visto muita gente ser picotada no machado

Orelhas bem cortadas, o que apesar de ser proibido, confesso achar bem bonito

Ele acabou sendo muito querido pelo pessoal da clínica, já se passaram uns 10 dias e nenhuma visita, nenhuma ligação, nada. Vou levar esse bicho pra casa

Um cliente-amigo apareceu um dia procurando um pitbull macho pra acasalar com a fêmea dele.. e adivinha só!!! Seis filhotes gordos e parrudos de nariz vermelho!! O Danny Trejo já era avô, e jamais ficou sabendo!!!





 Já nem pensava mais nos “donos” dele até que um dia eles foram lá buscá-lo. Aquele cheiro deles, as tattoos de cadeia, as gírias, a voz fina.. “Tem umas pessoas ai querendo falar com vc” disseram. E eu sabia bem quem eram

Despedidas sempre são tristes, essa em especial foi bem difícil.. ele já era meu cachorro. Representando o marco do dia em que tive uma importante lição sobre mim mesmo. Pedi pra esperarem lá fora que eu já vinha trazê-lo, dei um abração nele. Aquelas pessoas estavam com pressa e saíram arrastando o coitado pela corrente, ele me olhava e não queria ir. Nunca mais o vi

Ainda tomei um esporro megaputaqueparível do dono da clínica, porque onde já se viu tratar, internar e hospedar um cão enorme daquele por quase 20 dias, e não ter nenhuma garantia?? Nem sequer ter preenchido termo de internação?? Absurdo.. Incompetente..

- Cara, não me picotaram no machado então tá de boa..

- oi???

- nada não..

Todos sentimos saudades do gigante, mas tínhamos uma variedade enorme de pacientes para nos ocupar o pensamento. O porrilhão de problemas vinha às caralhadas e acabou passando. Os dias viraram semanas e as semanas viraram meses, no fim eu nunca disse uma palavra sobre o que aconteceu aquela noite

Nunca mais vi o pitbull do Danny Trejo.. adoraria dizer o mesmo sobre as pessoas que o trouxeram

Sim, eles voltaram. Um tempão depois, mas voltaram

Não era raro eu ficar sozinho na clínica, ainda mais a noite. Eu precisava de ajuda para medicar aquele monte de bicho internado, e acabava dispensando o pessoal depois disso. Era uma maneira de comprar o respeito deles. Foda-se

Alguns dias, até cumprir a hora, eu ainda ficava lá, ouvindo a Kiss FM, passando ficha pro computador.. ficava na net.. vendo Orkut das gata.. Hoje concluo que dei muita sorte, não me picotaram no machado né..

E foi em um dia desses que eles apareceram. Porradas na janela, chutes na porta e gritos – “Calma caraio to indoo”

Abri a porta, fui quase empurrado. Eles entraram, uns seis.. não havia cachorro, um deles estava apoiado no outro, dando pulinhos, mancando.. gemendo e chingando demais

O fedor deles, os olhos trincados com pupilas dilatadas. O filete e as gotas de sangue grosso marcavam o caminho por onde haviam passado. Sei lá que merda esses caras haviam aprontado

“- O dotôr precisa ajudar os irmão. Companheiro nosso foi atingido.. a gente tava fazendo uma função e o baguio fico loco”. O cara tinha tomado um tiro na batata da perna. O projétil entrou por trás, deve ter raspado na tíbia, desacelerando e formando um calombo roxo na canela, um pouco abaixo do joelho, por onde - imagino - a bala deveria ter saído

(Corta pra cena da bala entrando na perna tipo CSI)

Volta pra realidade, tentei argumentar: “- Gente vocês não entendem, aqui a gente trata de bicho, ta tudo contaminado.. vai infeccionar, isso vai dar merda e teu amiguinho vai perder a perna cara”. Ele não se convenceu, tirou o trezoitão da bermuda, colocou sobre a mesa e abriu os braços, tipo: “- Qual vai ser??”. Gente fina, elegante e sincera é outro nível

O sangue escorria pelo rejunte dos azulejos brancos do piso.. que nojo. Pus três luvas pra mexer naquilo, enfiei um chumaço de gaze no buraco, prensei com a pinça, atuchei mais um pouco, pra ver se parava aquela cachoeira de sangue. Quando soquei o chumaço de gaze, o calombo da canela aumentou. A bala estava lá na frente.. quase superficial, comecei a pensar a maneira de retirar aquilo que mais provocasse dor. Ele gritou, estava quase chorando. Bem feito

Pensei na maneira que os animais têm uma dignidade ímpar. E como nós, seres humanos, somos uns fracos

Pensei também que se um traste desse morresse, não haveria risco nenhum de ser picotado no machado.. não desta vez

Preparei pra furar o calombo com o bisturi, ele perguntou se eu ia mexer ali e disse que era onde mais doía. Tentei cutucar o furo por trás, mas a pinça relava no osso e ele gritava feito um porco, eu podia cutucar a bala com a ponta da pinça, mas não havia margem pra puxar. “- Vai ter que ser pela frente mesmo fera”

Perguntou se tinha anestesia eu disse que estava em falta no momento. Inúmeras vezes pedi que ele parasse de gritar, isso não era normal em uma Clínica Veterinária, queria que ele desmaiasse e calasse a boca. Na verdade queria que ele morresse. Aquilo estava parecendo um saco de ossos esmigalhados - fratura cominutiva em terço proximal da tíbia, eu pensei - Seria uma imagem radiográfica linda.. os fragmentos de osso e a porra do projetil lá no meio, mas eu não ia sujar também a mesa de Raio X. Torturar alguém é uma coisa doce mesmo

Trouxeram uma farinha pra ele cheirar e ele se acalmou. Eu tava quase pedindo um pouco também

Fiz um buraco enorme na canela dele, a pinça cirúrgica escorregava quando eu tentava puxar a esferinha de metal. No fim empurrei ela por trás e puxei com o alicate do pedreiro mesmo. Que merda deve ser a vida de médico de gente

Soquei muita gaze, riodeíne, pomada veterinária e enfaixei. Dei a ele um monte de comprimidos de cefalexina, prednisona e dipirona, orientei a forma que ele deveria limpar e fazer curativo da melhor maneira que pude. Os caras sabiam onde eu trabalhava, não seria difícil descobrir onde eu moro. E eu não ia fugir

No fim acho que atendi o cara melhor que muito hospital por ai

Amarguei sensações estranhas por vários dias.. que situação escrota!! ..que profissão do caralho!! Uma revolta misturada com repulsa por ter feito o que fiz. Não queria voltar na clínica, não acreditava ter passado por isso.. será que peguei alguma doença?? ..e se uma gotícula de sangue daquela criatura pulou no meu olho.. na minha boca e eu não percebi????

Dias depois ele ainda voltou, com uma muleta, e trouxe a mãe junto. A senhora estava muito puta com o filho que só se metia em confusão, e me pediu mil desculpas. Ela queria que eu visse como estava a ferida. Era só o que eu faltava mesmo. Pedi que não fizessem mais isso, e que se o fizessem, que pelo menos trouxessem um gatinho no colo, pra ninguém desconfiar da merda sem tamanho em que eu havia me metido 

O meu auto-controle me surpreende as vezes

Uns meses depois eu estava na internação, dando uns gritos e disseram que havia um cara querendo falar comigo. Cara bem educado, disse que algumas ocorrências saíram do controle e que foi necessário que eles me procurassem. Perguntou se mil contos resolveriam o problema.. eu engasguei, ele segurou minha mão, me passou um maço de notas, agradeceu e foi embora

Algumas semanas se passaram. Era domingo e eu estava de folga, a campainha de casa tocou umas 10 horas da manhã, era o carro de uma padaria conhecida da região. Desci pra ver, e quando eu ia falar que haviam errado o endereço, o rapaz me disse: “- Senhor Alexandre Andradas???”

"- Oi.." (???)

"- Encomenda para o senhor, tenha um bom dia!!”

Pães de vários tipos, doces e salgados. Carolinas e folheados de vários sabores, recheados com frios e alguns queijos finos. Vinho, chocolates, bolachas, Ferrero Roche, geléia, algumas frutas e um cacho de uvas, tudo bem arrumado em uma cesta com flores e uma caneca escrito “Love”

Fiquei mudo. Coloquei a cesta enorme sobre a mesa da cozinha e fiquei olhando pra ela por horas. Concluí por fim que o Danny Trejo é um cara sensível e bem gentil. E também que estava chegando a hora de me aposentar






A primeira luz aparece quando começa a considerar o futuro.. ou seja, como estaria a minha vida pessoal, meu coração (pelo menos a parte fisiológica dele).. e sobretudo a minha saúde mental em cinco, dez.. ou até dentro de UM ano numa rotina dessas??

Uma segunda luz aparece quando se dá conta que o mundo é essa merda mesmo, e as coisas não vão melhorar

A ilusão onipotente que a gente tem quando criança de que vai se formar na profissão que escolhe, e através dela mudar o mundo, acaba se esfarelando rapidinho

Hoje me considero um pouco menos burro, e só pretendo mudar a maneira de reagir tão intensa e calorosamente a certas coisas

Já fui muito orgulhoso. A grande verdade é demorei demais pra perceber o mal que me fazia tentar impor as minhas verdades, me revoltando e gastando energia analisando o que vai na cabeça de gente que pensava diferente de mim

Mastigava engasgava e no final acabava engolindo seco, a espinhosa textura das discussões do dia que estava por terminar

Ficava puto, vivia puto e descontava nos outros toda essa frustração. E quando não havia ninguém pra descontar essa raiva, punia a mim mesmo, comendo como um mamute.. e olha no que deu??

O fato é que o tempo foi passando, as coisas foram acontecendo.. e assim foram indo embora uma série de convicções..

Aquelas tais "verdades absolutas"  que eu guardava comigo, por orgulho, por burrice, e varias outras por inocência mesmo. Aquelas crenças que já não são nada úteis. Talvez tenham sido úteis em uma certa fase, por um certo período, mas hoje não são mais

Me livrei de um montão delas, mas de quantas outras eu ainda preciso me livrar??

O dia a dia tem te trazido situações paradoxais em que suas crenças já não estão mais funcionando? Pense se as suas crenças também já não estão se tornando inúteis e obsoletas.. isso quando já não se tornam um pesado fardo ao qual você têm se obrigado a carregar

Uma crença só é útil se trás resultados desejáveis

Convido os senhores a uma reflexão, uma vez que identifiquei estar me punindo diariamente, estava sofrendo quando tentava me prender no que um dia acreditei ser eterno

Tinha até medo.. de sequer cogitar a possibilidade

mas ..e se eu parasse de clinicar??

..e se???






..continua

domingo, 1 de dezembro de 2013

O GATO - PINGUIM (continuação PARADOXO)

Há tempos eu já vinha dando sinais de que um pane no sistema estava cada vez mais próximo

Ainda assim continuei insistindo, a decisão estava tomada, mas nada muito claro.

Adoraria dizer que sempre segui as rotas que tracei. Seria bem legal - no ponto em que chegamos - dizer que tudo foi fruto de um planejamento prévio, com uma profunda análise dos riscos e margens de ganho.. fraquezas e oportunidades, e que tudo foi resultado de um extenso estudo com a minha equipe de gestores, coachings, psicólogos e analistas econômicos..

Aqui vc não vai ler nada disso

O que tenho são histórinhas. Uma caralhada delas..

Me lembro do Pinguinzinho. O Pinguim era um gatinho, devia ter uns 30 dias de idade, a mãe dele foi encontrada dentro de um buraco em uma construção. Não se sabe quantos dias ela ficou por lá, sem água e sem comida, mas depois que ela foi resgatada, tratada e adotada, parecia não estar se adaptando, pois estava muito arisca, se escondendo. Alguns dias depois todo mundo entendeu o porquê deste comportamento, quando ela deu á luz um filhotinho morto, e um muito pequeno, o Pinguinzinho

O Pinguim tinha esse nome por ser todo tortinho, o que foi ficando mais perceptível quando ele foi crescendo. Ele não conseguia fechar as patinhas e não se levantava. As patinhas da frente muito tortas eram disformes, parecendo nadadeiras. Foi realizado RX que mostrou diversas fraturas nos ossos, provavelmente secundária a fragilidade dos ossinhos, devido a restrição alimentar da mãe durante a gestação, por conta do tempo que passou dentro do buraco

Só sei que todos achavam ele uma graça, todos se divertiam com ele.. eu só achava isso tudo muito triste

Com o tempo criou-se um impasse sobre o destino do Pinguinzinho. Havia a corrente que defendia uma vida longa e sofrida, em busca de reabilitação e adaptação, a fim de que levasse uma vida confortável, dentro do que fosse possível. Oposta a esta corrente, havia a dos que achavam melhor acabar com o sofrimento dele, enviando-o para o gramado infinito, solucionando-se o problema de maneira rápida e definitiva. A família já não estava achando tanta graça no gatinho que só se arrastava, miava demais e necessitava de cuidados praticamente o dia inteiro.. e eu continuava achando tudo aquilo, cada vez mais triste

Sei lá porque diabos, essa família gostava de mim, tinham certa preferência pela minha conduta.. pois no hospital sempre fui apontado como o cara que curte gatos. Eu deveria adorar isso, não fosse o fato de eles sempre tentarem empurrar para mim a decisão sobre o destino do pobrezinho. Todo dia era aquele “o que você acha doutor??” estava me irritando.. “E se ele fosse seu? O que você faria??” estava ficando cada vez mais difícil de me esquivar

Nesta época eu já não decidia mais nada. Naquele hospital tinha gente pra caralho e, se eu mal conseguia dialogar com os pensamentos dentro da minha cabeça, como poderia lidar com as opiniões, julgamentos, preconceitos das pessoas que nem estavam envolvidas no caso e só queriam tumultuar??

Eu estava cansado demais para tomar qualquer decisão. Sério, se eu pudesse, diria para que optassem pelo que achassem melhor, sinceramente eu não me importava. Tava morrendo de dó daquele bichinho olhando pra mim. E foi o que eu fiz, de maneira gentil expliquei, pela milésima vez, todas as implicações, os prós e contras e deixei que eles confabulassem, de acordo com suas próprias crenças e concepções de vida e morte, céu e inferno, bem e mal.. justiça e castigo

Foi a maneira que eu aprendi de me livrar da responsabilidade destas decisões, como se não bastassem os uivos, latidos, choros, miados e olhares que povoam minhas noites mal dormidas

O fato é que eu ia viajar. Era uma sexta feira e minha gata-humana morava em outra cidade, de modo que eu contava os segundos pra entrar no carro, ligar o som e cair na estrada para vê-la

Fui na cozinha tomar um café e ver a bosta do videoshow pra desanuviar a cabeça. Então me chamaram, a família havia chegado a um veredicto

Optaram por eutanasiar o Pinguinzinho. E como todo proprietário arbitrário e covarde, não queriam assistir, nem acompanhar a pequena criaturinha nos seus últimos momentos

Choraram, soluçaram, catarraram, blasfemaram contra o criador e pediram uns 15 copos de água. O show estava completo. Como é injusta a vida de quem não consegue empurrar aos outros as decisões das suas merdas nessa vida

Comuniquei ao corpo clínico a decisão, ainda me comprometi a esperar, caso alguém ainda quisesse adotá-lo, ou arrumar um dono, todos se entreolharam e o mimimi se fez presente. Ninguém se dirigiu diretamente a mim. Pode parecer piedade da minha parte, mas a verdade é que eu ainda não havia almoçado e estava morrendo de fome, além do mais ainda tinha metade do meu dia pra trabalhar e não queria passar o resto do plantão pensando nos olhos do gatinho se fechando através das minhas mãos. Preferia fazer isso na hora de ir embora, pegar a estrada.. eu ia encontrar alguém importante, provavelmente choraria no colo dela e tudo ficaria bem

E foi o que fiz. Deu minha hora, arrumei minhas coisas, e com a mochila nas costas administrei uma dose cavalar de xilazina com quetamina na veiazinha dele, dose que derrubaria um Cocker ou até um Boxer, e que conduziria o Pinguinzinho de maneira lenta, sonolenta e suave até os portões do gramado infinito. Sempre gosto de ressaltar que se eu pudesse escolher a maneira de partir, seria exatamente esta

Ele virou os olhinhos e foi tomado pela tontura gostosa. Ajudei que ele se deitasse, para que não estabacasse a cabecinha no piso da gaiola, cobri com um paninho. Ele se foi






As coisas perdem a clareza a partir deste momento, não me despedi de ninguém, não sei dizer se chorei, provavelmente não. No meio de tudo isso ainda me chamaram pra perguntar alguma coisa de um Raio X que alguém tinha feito.. Isso acabou de levar embora o pouco de concentração e paciência que ainda me restava. Hospital Veterinário é assim, não dá pra manter a mente em apenas UMA atividade específica 

Entrei no carro e descobri que há poucos males nesse mundo que não possam ser amenizados com Bohemian Rhapsody

Já havia passado do pedágio e estava quase entrando na marginal, quando olhei o celular e vi duas chamadas da clínica

Bosta

Todos sabiam exatamente pra onde eu ia, e pra terem me ligado duas vezes.. coisa boa não deveria ser. Liguei de volta, o plantonista da noite atendeu

- Oi Alê.. viu.. desculpa incomodar cara, mas o quê qui é esse gatinho torto aqui?? Não tem ficha, não tem nada escrito.. ele tava miando pacarái.. eu dei comida e ele comeu feito louco. Comeu que nem um leão memo..”

- Cuida dele cara, cuida muito bem dele. Quando eu voltar eu resolvo isso”

Não foi necessário. Soube que no dia seguinte uma família havia levado um paciente terminal para eutanásia, me disseram que se apaixonaram pelo Pinguinzinho, adotaram ele e tudo ficou bem

..mas foi foda

Soube também que um dia voltaram lá com ele, mas ninguém me avisou porque depois dessa, ainda fiquei com a fama do cara que tentou assassinar o Pinguinzinho. Com requintes de crueldade

É.. eu tinha algumas crenças que precisava deixar pra trás mesmo

A pedra que eu havia criado.. eu já não conseguia mais levantar

Não sou Deus

Nem tampouco onipotente, e isso não é vergonha nenhuma

E o diabo que me fez este desafio existia apenas dentro de mim, e eu não precisava carregar mais porra de pedra nenhuma

As coisas jamais seriam as mesmas, até hoje não sei dizer qual sentimento falava mais alto, se era orgulho, burrice ou inocência.. ou os três juntos







Fiquei com estes pensamentos borbulhando na cabeça por um bom tempo, buscando uma maneira de costurar tudo isso de maneira lógica, consistente e linear, até que um dia, assistindo ao Jô Soares, o discurso de um professor me atingiu em cheio. Dizendo de maneira simplória e tornando quase óbvio, tudo o que eu guardava aqui dentro e não conseguia libertar

Peguei a entrevista já pela metade, mas logo entendi que o Professor Clóvis de Barros falava basicamente, e de maneira única, da busca da tal felicidade. Do momento em que você descobre dentro de você, a real capacidade de fazer o que realmente nasceu pra fazer. E que os momentos felizes são aqueles que a gente não quer que terminem nunca!! 

..e ele terminou a entrevista, sugerindo uma maneira de se enfrentar a vida

Dizendo bem assim:

A expectativa de que haja uma fórmula pra vida é a fonte de tantas das nossas decepções

Que tal: de peito aberto??

Aberto pro mundo. Encarar o mundo como ele é. No seu ineditismo, na sua virgindade.

Na sua irrepetibilidade..

E saber que sem fórmula nenhuma, estamos ai diante de um mundo extraordinariamente competente para te entristecer

Mas aqui e ali, também capaz de te proporcionar grandes alegrias, grandes surpresas

Momentos que você nunca mais gostaria que acabassem

São estes momentos que a gente persegue e que farão da vida sempre alguma coisa digníssima de ser buscada

..e fantástica de ser vivida”






Dê o primeiro passo

A vida é cheia de coisas boas

E para todas as outras, ainda sempre existirá “Bohemian Rhapsody”







Ouça aqui a versão mais fodida de “Bohemian Rhapsody” na voz de Bruce Dickinson e Montserrat Caballe:


http://www.youtube.com/watch?v=qglryBZyeFc 


..e assista aqui na íntegra a entrevista / palestra / discurso / aula do Prof. Clóvis de Barros no Jô Soares. Pouca coisa na net hoje em dia vale tanto a pena:


http://vimeo.com/75703251




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

DEPOIS DAS FÉRIAS

(...)

- ..aliás, você está linda!!

- awn.. brigadu

- Não digo muito isso. Assim que te vi pensei "ela está linda!", mas não quis falar na frente do pessoal então.. estou falando agora

- Isso por acaso é alguma cantada que você aprendeu nas férias??

- Nesse seu mundo um cara não pode elogiar uma pessoa sem segundas intenções???

- Não!! No MEU mundo não!!!

- Tá.. mas estamos falando de nós. Estas regras não se aplicam a nós. Nunca se aplicaram

- É.. tem razão. Viu.. posso te fazer uma pergunta?? Não nos falamos nas férias.. por quê??

- A resposta rápida e fácil seria "estava ocupado e não tive tempo" o que é verdade, mas não foi por isso. Pensei em você e sobre o que você disse. Que as coisas entre nós iam se acertar. Isso me fez sentir tão bem sobre nós que acho que eu não quis estragar essa sensação. Faz sentido??

- Muito sentido!! Sabe o que isso significa?? Que estamos crescendo

- Ahh!! Que chato

- É né.. chato mas é verdade. Na verdade você parece diferente.. diferente no bom sentido. O fato é que, viver sua vida te fez bem!!

- Não sei se isso é exatamente a vida que eu sonhei

- Você me entendeu

- ..é, entendi









sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Projeto da fotógrafa Sarah Beth, que tinha como objetivo capturar alguns dos últimos momentos de cães idosos - alguns em estado terminal - e seus donos:




























sexta-feira, 20 de setembro de 2013








"O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. 

O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba receber." 




Artur da Távola













sexta-feira, 6 de setembro de 2013

MINHA CARA QUANDO...




Minha cara quando alguém do trampo vem me contar as loucas aventuras com a amante......






..tá serto fera!!




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Silêncio







Entre os anos 70 e 80, a artista plástica Marina Abramovic e Ulay, viveram uma intensa história de amor. Depois de 12 anos, por conta de uma traição de Ulay, cada um resolveu seguir o seu caminho. Marina e Ulay nunca mais se encontraram.. 



 


Em 2010, quando Marina já era artista consagrada, o Museu de Arte Moderna de Nova Yorque dedicou uma retrospectiva à sua obra. Nesta retrospectiva, Marina partilhava um minuto de silêncio com cada estranho que se sentasse à sua frente. 

Ulay chegou sem que ela soubesse, e foi isso que aconteceu...











......................





segunda-feira, 12 de agosto de 2013




Você e seu estagiario indo fazer atendimento emergencial a domicílio.....






....na sexta feira véspera de feriadão prolongado!!!!







quarta-feira, 7 de agosto de 2013



Chega uma hora na vida em que, de tanto querer, a gente não quer mais.

Não quer mais a vida feito vulcão em ebulição, não quer mais viver em busca..

Quer a paz do caminho sem tantos abismos, quer menos curvas e mais atalhos.
.

Não quer mais o que faz perder o sono, o que desconforta o pensamento..

Não quer mais aventura nem risco, só a emoção do que não parte às pressas, nem deixa marcas profundas e sangrentas.

Chega uma hora na vida em que, ou fazemos a opção por nós mesmos ou morremos extenuados sempre à procura do que nunca mais encontraremos.





..e acho que essa hora pra mim, chegou














terça-feira, 6 de agosto de 2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

Bom dia.. ou não

Como dono de gato(s), como as pessoas pensam que é meu despertar:







..como é na realidade:







quarta-feira, 12 de junho de 2013







"Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início.. até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmos, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo."

                                                                                             Martha Medeiros